top of page

Luz Contínua com Fera Carvalho Leite

A quinta edição do Projeto Luz Contínua encontra Fera Carvalho Leite em um território que ela domina: o corpo em estado de presença.

Atriz, bailarina, dubladora e empresária, Fera atravessa linguagens com a mesma intensidade com que sustenta o instante. Nosso primeiro encontro aconteceu na Casa de Teatro de Porto alegre, em uma aula de contato e improvisação.

Anos depois, ela chega ao estúdio para renovar seu portfólio —e o retrato se desdobra em conversa.

A seguir, leia a entrevista completa.

Existe um papel que te transformou profundamente?

Velha D+ segue me transformando. A cada vez que eu faço eu resgato a força que o texto me traz de ter coragem para viver plenamente meus paradoxos e a “resistir à quaisquer falsidades coletivas e difamações culturais que procuram anular a visão e a audição da alma”. Outro papel que me transformou e ainda transforma, talvez mais do que todos, é o papel de mãe na vida real.


Fera Carvalho Leite foto por Tom Peres
Fera Carvalho Leite foto por Tom Peres

O que ainda te desafia hoje como atriz?

Ser atriz já é um desafio em si. Escolher ser artista a cada dia, manter a qualidade da presença e a confiança no poder transformador que arte tem para seguir apesar de todas as adversidades e dificuldades. Em cena , a cada momento o desafio é encontrar a verdade na medida e na circunstância e realmente se conectar com o público, tocar os sentimentos. Parte vem de mim, parte vem da outra pessoa. É na troca que a magia acontece.

 

O que o corpo sabe que a mente ainda não entendeu?

O corpo sabe que é preciso parar um pouco para sentir, respirar com intenção, tocar e ser tocado com afeto, olhar com contemplação, escutar com atenção, falar com coerência. A pele é o sistema nervoso exposto (a mente exposta), e todos os nossos órgãos sensoriais são revestidos por pele. A pele sabe que precisa de contato e conexão para trazer informações de segurança  e pertencimento. O corpo precisa de movimento e prazer produzidos por ele mesmo e na troca com o ambiente, com as outras pessoas. Em nome do prazer ou alívio da dor muita gente acaba intoxicando ainda mais o corpo, machucando pra ser visto, desejado, amado.



Fera Carvalho Leite foto por Tom Peres
Fera Carvalho Leite foto por Tom Peres

O que é beleza hoje pra ti?

É coerência, uma harmonia do todo, uma verdade expressa. É quando uma luz invisível emana de algo e o olho gruda ali. A beleza é algo interessante, curioso, às vezes misterioso.

O que te mantém viva fora do palco?

Sonhar com ele e com a plateia numa comunhão criando uma realidade fantástica.


Qual foi um momento de ruptura importante na tua vida?

A maternidade.


Onde tu encontra silêncio?

No meu Espaço Livre, na minha respiração.




O que te levou a criar o Fera Desperta?

A vontade de compartilhar meu método com as pessoas. Apresentar teoria e prática do Breathwork, o poder transformador da respiração consciente. Eu me especializei em Pedagogias do Corpo e da Saúde, Neurociência da Respiração e em Comunicação Não Violenta. Juntei tudo isso e entendi que minhas práticas formaram um acrônimo de FERA: facilitar o Fluxo entre Empatia Respiração e Autenticidade (F.E.R.A.). Ou seja é o encontro entre as minhas e especializações: corpo, saúde, respiração e expressão autêntica. E tenho oferecido atendimentos individuais para regulação do sistema nervoso através da respiração e da CNV para pessoas que se sentem ansiosas, estressadas, com insônia, irritadas e querem melhorar seu estado emocional e relacional consigo e com as outras pessoas em busca de uma qualidade de presença mais autêntica na vida.



Fera Carvalho Leite foto por Tom Peres
Fera Carvalho Leite foto por Tom Peres

O que falta para as pessoas se reconectarem com o corpo?

Valoriza-lo. Muitas vezes isso só acontece depois de uma doença ou uma lesão. E entrar no tempo e espaço do corpo, percebe-lo, escuta-lo e cuidar do que ele precisa.


O que te emociona fácil?

A vulnerabilidade do ser humano, da vida. O contato profundo com os sentimentos e os valores frente às circunstâncias desafiadoras.


Do que tu tem medo hoje?

As catástrofes climáticas sempre foram meus pesadelos recorrentes. Viver a enchente e ver as notícias do que está acontecendo no mundo é aterrorizante. Assim como as violências que os homens criam sejam em guerras, sejam nas casas com assassinatos de mulheres e crianças sejam no ambiente da internet. Tenho medo dos extremos.


O que ainda quer viver?

Quero ver meu filho crescer como um homem gentil e respeitoso.


Se pudesse fazer novamente um espetáculo ou a cena de um espetáculo antes de morrer, qual seria?

Eu lembrei da minha última cena no Circo Girassol que eu voava saltando de um trapézio com elásticos na cintura e girava no espaço voltando para o balanço do trapézio e saltava de novo em  mais voos e giros. Era uma sensação indescritível!


Fera Carvalho Leite foto por Tom Peres
Fera Carvalho Leite foto por Tom Peres

Comentários


bottom of page